terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Dias com Sol

Tem dias que é assim que vemos o mundo... com aquela vontade misturada de rir e fazer  um pouco de comédia da vida que nos é tão válida em sua dureza.
Uma simples e carismática imagem nos faz pensar em quanto é necessário simplificar o que temos e o que somos...um sorriso que nos mostra a necessidade de preservarmos esse sentimento de desapego egratidão por tudo em nossa volta.
A criança tem essa magia em tempo integral, poderíamos recordar sempre esse estado de espírito de quando vivíamos essa fase.
A única nessecidade existente é  de sorrir e arrancar sorrisos, nada mais. Uma belíssima missão.
Recordemos essa sentimento que nasce conosco e luta para morrer juntinho de nós...a arte de ser, simplesmente ser. Gratidão pela vida!

Máscaras

"A criança sempre horroriza o público. A criança ainda não aprendeu o papel, não usa máscaras, não participa da farça, não representa. Seu rosto e seu eu são a mesma coisa. A qualquer momento a verdade que não devia ser dita pode ser dita pela sua boca.
A máscara colada no nosso rosto só pode ser retirada por uma outra pessoa. Ela só se desprega da nossa pele quando tocada pelo toque do amor. E assim sabemos que estamos amando: quando diante daquela pessoa, a máscara cai e voltamos a ser crianças..." Por Rubem Alves.

Dá-me o que quero!

A flor que és, não a que dás, eu quero.

Porque me negas o que te não peço.

Tempo há para negares
Depois de teres dado.

Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perere
Sombra errarás absurda,
Buscando o que não deste.

Ricardo Reis

Cumpramos o que somos

Cada Um

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.

Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.

Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

Ricardo Reis

Sobre Ricardo Reis

Ricardo Reis (19 de setembro de 1887) é um dos quatro heterónimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, tendo sido imaginado de relance pelo poeta em 1913 quando lhe veio à ideia escrever uns poemas de índole pagã. Nasceu no Porto, estudou num colégio de jesuítas, formou-se em medicina e, por ser monárquico, expatriou-se espontaneamente desde 1919, indo viver no Brasil. Era latinista por formação clássica e semi-helenista por autodidactismo. Na sua biografia não consta a sua morte, no entanto José Saramago faz uma intervenção sobre o assunto em seu livro O Ano da Morte de Ricardo Reis, situando a morte de Reis em 1936.


Reis, também discípulo de Caeiro, admira a serenidade e a calma com que este encara a vida[2], por isso, inspirado pela clareza, pelo equilíbrio e ordem do seu espírito clássico greco-latino, procura atingir a paz e o equilíbrio sem sofrer, através da autodisciplina e das seguintes doutrinas gregas:

 Epicurismo

Doutrina baseada num ideal de sabedoria que busca a tranquilidade da alma através das seguintes regras:
  • Não temer a morte - Levando o poeta ao Fatalismo, tendo a morte como única certeza na vida.
  • Procurar os simples prazeres da vida em todos os sentidos, sem preocupações com o futuro (carpe diem), mas sem excessos - Deste modo aprende a viver cada instante como se fosse o último; e faz da vida simples campestre um ideal (aurea mediocritas);
  • Fugir à dor - Como defesa contra o sofrimento, sobrepõe a razão sobre a emoção;

 Estoicismo

Doutrina que tem como ideal ético a apatia - ausência de envolvimento emocional excessivo que permite a liberdade – , e que propõe as seguintes regras para alcançar a felicidade (relativa, pois não pretende um estado de alegria mas sim de um contentamento inconsciente):
  • Dominar as paixões – Suscita uma atitude de indiferença; Recusa o amor para evitar ter desilusões, de modo a que nada perturbe a serenidade e a razão, e porque este é uma inutilidade e está já condenado, uma vez que tudo na vida tem um fim;
  • Aceitar a ordem universal das coisas, incluindo a morte - Revela a faceta conformista, considerando a vida como efémera, um fluir para a morte e essa consciência não lhe gera nem angústia nem revolta.
Porém, Reis admite a limitação e a fatalidade desta condição humana, e pretende chegar à morte de mãos vazias de modo a não ter nada a perder; e inspirado na mitologia clássica, considera a vida como uma viagem cujo fluir e fim é inevitável.

 Estilo

Poesia com muitas alusões mitológias, com uma linguagem culta e precisa, sem qualquer espontaneidade. Estilo neoclássico influenciado pelo poeta latino Horácio, com utilização frequente da ode. Uso de um vocábulo culto e alatinado com O principal recurso ao hipérbato. Emprego do gerúndio e do imperativo (ou conjuntivo com valor de imperativo) com carácter exortativo, ao serviço do tom sentencioso e do carácter moralista presentes nos seus poemas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sem gaiolas para a alegria...

"O mundo de fora é um mercado onde pássaros engaiolados vendidos e comprados. As pessoas pensam que se comprarem o pássaro certo terão alegria. Mas pássaros engaiolados, por mais belos que sejam, não podem dar alegria. Na alma não há gaiolas.
A alegria é um pássaro que  só vem quando quer. Ela é livre. O máximo que podemos fazer é quebrar todas as gaiolas e cantar uma canção de amor, na esperança de que ela nos ouça. Oração é o nome que se dá a esta cançaõ para invocar a alegria.
Gosto de ler orações. Orações e poemas são a mesma coisa: palavras que se pronunciam através do silêncio, pedindo que o silêncio nos fale. A se acreditar em Ricardo Reis é no silêncio que existe no intervalo das palavras que se ouve a voz de "um Ser qualquer, alheio a nós", que nos fala. O nome do ser? não importa. Todos os nomes são metáforas para o grande mistério inominável que nos envolve. Gosto de ler orações porque elas dizem as palavras que eu gostaria de ter dito, mas não consegui. As orações pôem música no meu silêncio."

Objetivando

É um prazer enorme conhecer uma ferramenta que facilite a exposição de nossas idéias, ou uma tentativa de realizar tal façanha.
Aqui registraremos trechos interessantes de nossa Literatura e comentaremos idéias de vários pensadores, varrendo assim muitas de nossas compreensões ainda imaturas diante de tanto que ainda há pra se ver e se viver.
A certeza da fantasia que criamos que muito sabemos, quando na verdade muito buscamos sem saber onde achar.
Peço aos amigos e amantes da arte que possam ilustrar esse pequeno projeto que nos serve para exercitar a mente e varrer dela coisas que já não nos servem mais.
Grata pela vida!

Varrendo Fantasias